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O Islão ensina seis crenças principais:
- a crença em um único Deus;
- a crença nos anjos, seres criados por Deus;
- a crença nos livros sagrados, entre os quais se encontram a Torá, os Salmos e o Evangelho. O Alcorão é o principal e mais completo livro sagrado, constituindo a colectânea dos ensinamentos revelados por Deus ao profeta Maomé;
- a crença em vários profetas enviados à humanidade, dos quais Maomé é o último;
- a crença no dia do Julgamento Final, no qual as acções de cada pessoa serão avaliadas;
- a crença na predestinação: Deus tudo sabe e possui o poder de decidir sobre o que acontece a cada pessoa.
Deus
A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita
no monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual.
Cada capítulo do Alcorão (com a exceção de um)
começa com a frase "Em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso".
Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos
de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59:
"Ele é Deus e não há outro deus senão Ele,
que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso!
Ele é Deus e não há outro deus senão Ele. Ele é o
Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande!
Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam!
Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para
ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).
Ver noventa e nove
nomes de Alá para uma visão muçulmana sobre os atributos de Deus.
Os anjos
Os anjos são, segundo o Islão,
seres criados por Deus a partir da luz. Não possuem livre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a
Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas
rejeitou a crença dos habitantes de Meca, de acordo com a qual eles
seriam os filhos de Deus. Desempenham vários papéis, entre os
quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e
registram todas as suas acções. O anjo mais famoso é Gabriel, que
foi o intermediário entre Deus e o profeta.Para além dos anjos, o islamismo reconhece a
existência dos jinnis, espíritos que
habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário
dos anjos, os jinnis possuem vontade própria; alguns são
bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus é Iblis
(Satanás), também ele um jinn, segundo a
crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.
Os livros sagrados
Os muçulmanos acreditam que Deus usou profetas para
revelar escrituras aos homens. A revelação dada a Moisés foi a Taura (Torá), a Davi foram dados os Salmos e a Jesus o Evangelho. Deus foi revelando a sua mensagem em
escrituras cada vez mais abrangentes que culminaram com o Alcorão, o derradeiro livro revelado a Muhammad.
Os profetas
O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à
humanidade através de profetas. Existem
dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos
homens a vontade divina (anbiya; singular nabi) e os que para
além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul;
singular rasul, "mensageiro").Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma
comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os
muçulmanos, a lista dos profetas inclui Adão, Abraão (Ibrahim), Moisés (Musa), Jesus
(Isa) e Maomé (Muhammad),
todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é
visto como o Último Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda
a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo
dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o Alcorão, ele não acreditou que isso teria
proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.
Esses profetas eram humanos mortais comuns, o Islão
exige que o crente aceite todos os profetas, não fazendo distinção entre eles.
No Alcorão, é feita menção a vinte e cinco profetas específicos.
Os muçulmanos acreditam que Maomé foi um homem
leal, como todos os profetas, e que os profetas são incapazes de acções erradas
(ou mesmo testemunhar acções erradas sem falar contra elas), por vontade de
Deus.
O dia do Julgamento Final
Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o
momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus
pelas acções que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados
directamente para o Paraíso, enquanto que os
pecadores devem permanecer algum tempo no Inferno, antes de poderem também entrar no
Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os
hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de facto
nunca o foram.Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento
Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o
som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o
mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.
A predestinação
Os muçulmanos acreditam no quadar, uma
palavra geralmente traduzida como "predestinação",
mas cujo sentido mais preciso é "medir" ou "decidir quantidade
ou qualidade". Uma vez que, para o islamismo, Deus foi o criador de tudo,
incluindo dos seres humanos, e sendo uma das suas características a
omnisciência, ele já sabia, quando procedeu à criação, as características que
cada elemento da sua obra teria. Assim sendo, cada coisa que acontece a uma
pessoa foi determinada por Deus. Essa crença não implica a rejeição do livre
arbítrio, pois o ser humano foi criado por Deus com a faculdade da razão, pelo
que pode escolher entre praticar acções positivas ou negativas.
Os cinco pilares do Islão
- a recitação e aceitação da crença (Chahada ou Shahada);
- orar cinco vezes ao longo do dia (Salá,Salat ou Salah);
- pagar esmola (Zakat ou Zakah);
- observar o jejum no Ramadão (Saum ou Siyam);
- fazer a peregrinação a Meca (Haj) se tiver condições físicas e financeiras.
Os muçulmanos xiitas consideram ainda três práticas como essenciais à
religião islâmica: além da jihad, que também é
importante para os sunitas, há o Amr-Bil-Ma'rūf,
"exortar o bem", que convoca todos os muçulmanos a viver uma vida
virtuosa e encorajar os outros a fazer o mesmo; e o Nahi-Anil-Munkar,
"proibir o mal", que orienta os muçulmanos a se abster do vício e das más ações, e também encorajar os
outros a fazer o mesmo.Alguns grupos kharijitas existentes na Idade Média consideravam a jihad
como o "sexto pilar do Islão". Actualmente alguns grupos do xiismo ismaelita entendem a "fidelidade ao Imam"
como sexto pilar do Islão.
A profissão de fé (Chahada)
A profissão de fé
consiste numa frase - que deve ser dita com a máxima sinceridade - através da
qual cada muçulmano atesta que "não há outro deus senão Deus e Maomé é seu
servo e mensageiro". No entanto, os muçulmanos xiitas
têm por costume acrescentar "e Ali ibn Abi Talib é amigo de Deus". Essa frase também
é dita quando se chama à oração (adhan).De acordo com a maioria das escolas islâmicas, para se converter
ao Islão é necessário proclamar três vezes a chahada
("testemunho") perante duas testemunhas: "Achadu ala ilaha
ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah" ("Testemunho que não
há outra divindade senão Deus. Testemunho que Maomé é seu profeta
mensageiro").
O Salat (a oração)
A oração no Islão (conhecida como Salá) é composta por cinco partes, todas
espalhadas durante o dia e a noite, iniciando pela alvorada até à noite.
Considerada o ponto mais próximo que se pode chegar de Deus. No Islão, não há
obrigatoriamente hierarquia entre os adeptos, porém a comunidade, conhecida
como ummah, escolhe uma pessoa com conhecimento
suficiente para dirigir a adoração.Durante essas orações, são recitadas suratas do Alcorão, geralmente ditas em árabe, conduzidas pelo escolhido entre a
comunidade. Não existe restrição para que o crente reze fora da mesquita, tampouco isso é uma desbonificação de
sua oração, que pode ser feita em qualquer lugar, desde que tenha feito antes
sua purificação.
A purificação é realizada através da higiene
especifica e detalhada, que consiste basicamente em lavar as mãos, os
antebraços, a boca, as narinas, a face; em passar água pelas orelhas, pela
nuca, pelo cabelo e pelos pés.Se um muçulmano se encontrar numa área sem água ou
numa área onde o uso da água não é aconselhável (porque poderia causar uma
doença), pode substituir as abluções pelo uso simbólico de areia ou terra (tayammum). A oração abre-se com a orientação
do crente na direcção de Meca (qibla).
A contribuição de purificação (Zakat)
O Islão estabelece que cada muçulmano deve pagar
anualmente uma certa quantia, calculada a partir dos seus rendimentos, que será
distribuída pelos pobres ou por outros beneficiários definidos pelo Alcorão (prisioneiros, viajantes, endividados…).
Essa contribuição é encarada como uma forma de purificação e de culto. A
quantia corresponde a 2,5% do valor dos bens em dinheiro, ouro e prata, mas o
valor pode variar se se tratar, por exemplo, de produtos agrícolas (nesse caso
a contribuição pode chegar a 10% da colheita agrícola).Quem tiver possibilidades pode ainda contribuir, de
forma voluntária, com outras doações (sadaqa), mas é importante que o faça em segredo e sem ser
movido pela vaidade. O anúncio dessas doações somente poderá ser feito se isso
contribuir para que outras pessoas sejam motivadas a fazer o mesmo (caso de
personalidades e pessoas proeminentes da sociedade), e esse ato deve ser
sincero, mesmo que em público.
O jejum no mês do Ramadão (Saum)
Durante o Ramadão (o nono mês
do calendário islâmico),
cada muçulmano adulto deve abster-se de alimento, de bebida, de fumar e de ter relações sexuais, desde o nascer até ao pôr-do-sol. Os doentes, os idosos, os viajantes,
as grávidas ou as mulheres lactantes estão dispensados do jejum.
Em compensação, essas pessoas devem alimentar um pobre por cada dia que
faltaram ao jejum ou então realizá-lo noutra altura do ano. O jejum é
interpretado como uma forma de purificação, de aprendizagem do auto-controlo e
de desenvolvimento da empatia por aqueles que passam fome ou outras
necessidades.O mês de Ramadão termina com o dia de celebração
conhecido como Eid ul-Fitr,
durante o qual os muçulmanos agradecem a Deus a força que lhes foi concedida
para levar a cabo o jejum. As casas são decoradas e é hábito visitar os
familiares. Essa comemoração serve também para o perdão e a reconciliação entre
pessoas desavindas.
A peregrinação (Hajj)
Esse pilar consiste na peregrinação
a Meca, obrigatória pelo menos uma vez na vida para
todos os que gozem de saúde e disponham de meios financeiros. Ocorre durante o
décimo segundo mês do calendário islâmico.Os muçulmanos vestem-se com um traje especial todo
branco, antes de chegar a Meca, para que todos estejam igualmente vestidos e
não haja distinção de classes. Durante toda a peregrinação, não se preocupam
com o seu aspecto físico. Depois de praticarem sete voltas em torno da Kaaba,
os peregrinos correm entre as duas colinas de Safa e Marwa. Na
última parte do Hajj, os muçulmanos devem passar uma tarde na planície
de Arafat, onde Maomé disse o seu "Último
Sermão". Os rituais chegam ao fim com o sacrifício de carneiros e bodes.
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